IV - [7/10]- Aula de Campo - O meio Anjo Meio Demonio


- Agora eu entendi... Já sei, Já sei, quando um anjo caí, ele vira um obscuri. Não um demôio. Agora tudo se explica...

- Exatamente.

- Mas não tem jeito de um Obscuri voltar a ser anjo?

- Minha linda, um anjo caído é uma criatura desprezível.Até um demônio é mais integro em seus principios, sejam eles errados ou não, que um anjo caído. Uma criatura que criada para o bem não conseguiu se manter na sua trilha.

Se você só tiver chance de fazer um ataque e tiver que escolher entre matar um demônio e um Obscuri, mate o segundo. Será a honra dos anjos que você estará recompondo.

Demônio é mal porque ele nasceu para ser mal. Mas um anjo que se volta contra os céus e tinge suas asas de negro não merecem perdão. São como um filho que esfaqueiam o ventre do qual acabaram de surgir. Um demônio, ao menos, nunca conheceu a glória divina. Mas um anjo, um filho de Deus. Não há nada que justifique...
Um Angellin jamais aceita traidores.

- Não acha que está usando palavras fortes demais para falar com uma criança, Raphael?- Disse uma voz entrando na sala

- Eu sei o que eu estou fazendo. Vá tomar seu banho e me deixe aqui com a minha pupila, Alexander.

- Assim a menina vai ter pesadelos à noite - O Captare se aproxima e beija a testa da gatora

- Vá, vá, vá, - Gesticulava - Deixe-me terminar minhas explicações

- Qualquer coisa me chame... Certo, Bianca?!

- Ela chama, não se preocupe, ela chama. Agora vá. - Alexander sorri e sobe as escadas deixando Raphael e Bianca - Continuando... Demônios são maus, Obscuri’s são desprezíveis.

A conversa é interrompida por um pássaro que pousa na janela. Um falcão com penas tão vivas que parecia que estava em chamas e trazia em uma de suas patas um pergaminho. Parado apoiando-se apenas com uma das patas o passaro parecia esperar a oportunidade para se apresentar.

- Pode entrar Arthemis.- Convidou cordialmente Raphael. A ave entrou voando e soltou pergaminho nas mãos do captare. – Vou pegar um pouco de água para você. Quer água também, Bianquinha?

- Não senhor

A ave que estava no chão aproxima-se de Bianca. Ambas se olhavam com certa curiosidade. O pássaro movia o rosto como se procurasse a melhor forma de analisar aquela com que Raphael conversava.

- Aqui está. - Disse ele voltando com um vasilhame com água e colocando a frente da ave. – Essa é Arthemis, o falcão de sua avó Gabrielle. E ele me trouxe uma ótima oportunidade de te ensinar mais uma lição.
Vá se arrumar, nós vamos sair!


- O que acontece quando um anjo se envolve com um humano, Bianquinha?

- Nasce um nefalin?!

- Agora, me responda uma coisa, se uma succubus seduzisse um anjo, e eles copulassem, o que nasceria?

- Eu não sei, o que seria?

- Uma pobre alma marcada para morrer - Diante da expressão do anjo a menina se cala.
Uma das coisas que você vai aprender hoje, é que o mal se esconde sob todas as faces. Desde a mais horripilante até a mais inocente.
Sejas humilde como as pombas
, já dizia Matheus*, e seja prudente como as serpentes. Porque Deus nos enviou como ovelhas por entre lobos...
[Matheus 10.16]
Chegaram a um galpão abandonado. Estavam em uma cidade estranha.
Não parecia com a Cidade de prata ou com nenhuma das cidades que já morara.

Um anjo de cabelos e pele alva abriu a porta do galpão. Haviam vários feridos. Bianca chegou até a ver o corpo de um anjo se desfazendo.

- Eu vou- A menina deu um passo na direção dos feridos, mas seu avô a interrompeu.

- Você vai ficar do meu lado. – O Angellin se voltou para o anjo e perguntou - Πού είναι η γυναίκα μου;

- είναι στο τέλος του ρίξει – Respondeu o anjo. Tornando a fechar o portão de ferro

- Venha comigo - Os anjos estavam se recolhendo. Vários desapareciam num abrir e fechar de asas. Outros pareciam se tele-transportar através de portais feitos com magia

Havia sangue espalhado pelas paredes do local. Pouco a pouco todos partiram. No final do local, viram as costas de Gabrielle banhadas em sangue. Bianca soltou-se de Raphael e correu em direção a avó.
Quando ela virou-se,
estava com o rosto em prantos.
E uma criança nos braços

- Está tudo bem?- Perguntou a menina preocupada com o estado da Captare

- É só uma criança, Raphael, ela não tem culpa de nada- Dizia olhando nos olhos do marido que se aproximava ignorando a querubim a seu lado – É só um bebê...

- Como imaginei... - ele respira fundo - você não conseguiu

Bianca olhava intrigada para a criança, manchada de sangue, afagada nos braços de Gabrielle. Os olhinhos assustados, as mãozinhas pequenas, tintas, pelo vermelho carmesim.

- Raphael... – Suplicava a mulher

- E os pais da criança?

- Foram destruídos, conseguimos localizá-la assim que nasceu. Me desculpe...

- Me dê a criança - Seu pedido mais parecia uma ordem.

- Por favor... - Gabrielle suplicava abraçada com a criança.

- Me dê a criança e volte para casa... -Falava agora num tom mais gentil- Eu te amo, e por isso eu não vou deixar você falhar.

A mulher entregou a criança ao Angellin. Raphael abraçou forte sua esposa e ela saiu correndo afastando-se cada vez mais rápido do local

- O que nós vamos fazer? -Perguntou Bianca temendo a resposta

- O que foi ordenado... - A criança chorava nos braços do Angellin que a segurava com desdém - Está vendo esta criança? Parece pura e indefesa, não é? Acabara de sair do ventre de sua mãe. Mas em pouco tempo, ela estará causando mais mal que você poderia imaginar. Como eu disse: O mal se esconde sob várias formas.

A menina olhava assustada para a postura de seu avô. Normalmente uma pessoa brincalhona e afetuosa. Naquele momento parecia um alguém totalmente alheio a emoções. O choro da criança ecoava pelo galpão. Já não havia mais ninguém no local além dele, de Bianca e da criança.

Angellin coloca bebê no chão, pega um frasco com água benta ecomeça a jogar sobre a criança enquanto fala palavras em latim. A criança chorava copiosamente e a essa altura, Bianca já estava chorando também.

Não queria estar naquele local,
não queria estar vendo aquilo.

- A segunda coisa que você vai aprender hoje. É que nós temos uma missão. E um Angellin nunca se nega a cumpri-la. Se você não possui habilidades para tal coisa - Dizia ele enquanto sacava uma pistola antiga e os movimentos faziam o crucifixo prateado oscilar como um pêndulo – Encontre um Angellin que faça... Mas, nunca deixe um trabalho em aberto. - Raphael começa a mirar – Se uma ordem lhe é passada, pelos céus... - Bianca fecha os olhos. O choro da criança tornava a cena desesperadora.
Até que Raphael descarrega a arma na cabeça da criança. - É nossa obrigação cumprir -Em seguida Pega outro frasco e derrama sobre o corpo. Acende um fósforo e o corpo da criança incinera.


O captare senta-se e olha para as chamas. Bianca chorava mais atrás. Uma lágrima correu de sua face, o anjo a enxugou e ficou olhando paras usas mãos. Havia se sujado se sangue quando pegara a criança das mãos de Gabrielle.
Mãos sujas de sangue.

Ele levantou-se, abraçou Bianca e tentou reconfortá-la.

- Nem sempre fazemos o que queremos. Nós fazemos o e tem que ser feito. Por mais difícil que seja, temos que ser fortes. Temos que seguir em frente. Deus usa as nossas mãos. Temos que estar preparados e a disposição para quando ele precisar.

Vem, vamos para casa, acho que suas lições já bastam por hoje...

Em casa... A prestação de contas:

- Espere um pouco, eu acho que não entendi direito... vocês estavam aonde?

- Calma, Alexander, eu só levei ela para ter umas aulinhas de campo...

- Levá-la para treinam no deserto, é uma aulinha de campo.
Levá-la para treinar em outro distrito, é uma aulinha de campo.
Levá-la para aprender a curar no topo de uma montanha ou no fundo do oceano, é uma aulinha de campo.
Mas levá-la a uma missão sua... isso não é aula de campo isso é tentativa de assassinato
!

- Calma, o único demônio que ela viu eu matei

- Como assim?! Você a levou ela para ver você matando demônios?!

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