Cap XXI - 1º dia de “folga”

1.Prefácio
Depois de escrever em seu diário e por a comida de seu gato, Bianca começa a estudar sobre o caminho da Luz. Até ter sua concentração quebrada pelo toque nada discreto do celular:
“Sofia”
- Alô
- Oi, Bianca, você está muito ocupada, meu amor?
Bianca olhou para os livros de magia:
- Mais ou menos, por quê? É muito importante?

- Balk e Mickey estão meio mal e eu estava precisando da sua ajudinha

- Onde é que vocês estão?

- Bem, eu estou no meio da areia, perto de três coqueiros
- Como?
- Liga para o Zel, ele está vindo para cá
- Certo
Agenda > Zel(L) > Chamando...
Chamando...
- Zel?
- Alô, menina Bianca
- Oi, Zel, é que... Sofia me ligou
- Ela me ligou também, eles estão nas dunas, perto do Beach Park
- O que foi que aconteceu?
- Eu não sei direito, lá ela nos conta
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2. Missão (quase)Impossível
Bianca pegou sua mochila e seu grada-chuva, desceu as escadarias, morava num dos primeiros andares, não queria esperar pelo elevador, e pegou um táxi.

- Seus pais sabem que você está indo para lá?- Disse o homem receoso em levar uma criança para um local tão desolado

- Na vedade eu estou indo me encontrar com eles... quer que eu ligue p'ro meu irmão? Ele pode confirmar com o senhor

- Não, não precisa
O motorista a levou até o limite que a pista permitia, pois a areia havia tomado a pista.
- A mocinha quer que eu espere aqui com a senhorita até seu pai chegar?

- Não, não precisa- Respondeu com um sorriso

- Essa ária é meio perigosa

- Ele já está chegando- A menina franzina, que aparentava ter entre 14 e 16 anos, já estava avermelhada pelo sol, o forte sol do meio-dia da cidade da luz - Muito obrigada pela sua atenção.

- É que eu me preocupo, tenho uma filha da sua idade... E o mundo hoje em dia...

- O senhor é muito gentil, poderia me dar seu cartão? Assim, se ele demorar eu posso ligar para o senhor.

- Oh claro- O homem pegou a carteira no bolso e tirou um cartão, havia o numero de um celular e o de um fixo. A figura de um carro destacada do fundo, uma imagem desfocada da orla marítima da cidade- Qualquer coisa me ligue...

- Pode deixar
O homem enfim partiu deixando para trás a menina a beira da estrada

Já haviam se passado duas horas desde que saíra de casa, o calor era quase insuportável, Bianca abriu o colete e desabotoou alguns botões da blusa social branca.
Agenda > Sofia(C) > Chamando...
- Sofia, cadê você?

- Minha linda eu não sei, eu só estou vendo areia, areia, e três coqueiros

- Assim fica difícil...Deixa eu vou ligar para o Zel...

***
- Zel?

- Eu estou chegando...
(Ele disse isso a mais de uma hora)


Bianca olhou ao redor, havia poucas casas, sendo quase todas bem distantes de onde estava, levantou um voo baixo, o vento suavizava o calor mas a areia arranhava e entrava pelo decote da blusa e pela saia. Seu celular tocou
"Zel"
- Me diz que já chegou...
- Eu estou aqui a beira da pista, onde você está?
- Bem, eu estou no meio da areia, da areia... e da areia
- Volta pra cá
- E como eu vou saber em que pista o senhor está?
- Veja se ouve isso... - Bianca escuta um barulho de tiro vindo exatamente do local de onde tinha saído- É só seguir
"Meu Deus, o que foi que eu fiz pra merecer isso?"
Chegando ao local...
- Sofia- Disse Zel ao celular- Me diga exatamente o que você vê
- Mas eu já disse... A minha frente eu vejo o mar, além disso, só areia e três coqueiros e a leste eu vejo os escorregadores do Beach Park

- Vamos andando, menina Bianca... - Disse o soldado olhando para a querubim- já temos uma direção.

Eles começaram a andaram encontrar três coqueiros numa praia era uma missão meio complicada. Andaram e andaram com o sol a pino, Bianca já estava com o rosto esfogueado. O suor molhava a blusa e a areia nas botas all star incomodava, além do calor que as próprias botas proporcionavam já que cobriam até perto do joelho. Zel, vestido com uma camiseta, calça e botina não se incomodava muito, no treinamento tinha que suportar muito mais que isso.

No caminho, encontraram um grupo de pescadores, três, um capitão e dois outros. Dois dele foram até os dois anjos
- Precisando de ajuda amigo?
- Estamos procurando uma amiga que se perdeu- Respondeu o homem que parecia um soldado com traços latinos
- Nosso capitão pode ajudá-los, pode vir com gente?- O Homem queimado pelo sol deu as costas fazendo um sinal para segui-lo enquanto o outro permaneceu parado. Zel olhou para Bianca
- Você vem?
- Não, prefiro ficar aqui esperando você voltar- Bianca achava estranha aquela abordagem, e mais estranho ainda o fato da aura daqueles homens brilharem, sendo a do "capitão" a mais iluminada. Conhecia esse tipo de aura e esse brilho era uma característica particular dos magos.

Os dois homens e Zel entraram no barco de pesca. Demoraram alguns instantes e voltaram. Enquanto esperava, Bianca aproveitou para juntar algumas conchas na beira d'água
Um dos pescadores vendo a menina com as conchas sorriu e disse:
- Bonitas não são?! Elas também protegem e dão sorte...
- Ah, obrigada
- Eles irão nos ajudar a procurar
Saíram os quatro caminhando, Zel pegou seu cantil com água e deu a Bianca, a menina agradeceu.
Ao celular Bianca tentava uma forma mais fácil de encontrar a ceifadora
- Como é a sua amiga?
- Branquinha, de cabelos lisos e curtos, de um castanho escuro.


- Sofia, nada de você ver a gente?
- Não
- Pergunte a sua amiga como ela está vestida
- Como é que você está vestida?
-
Bem eu estou com um manto negro...
- Ela está com uma canga preta
- Uma canga preta nesse sol?
- Turista, vocês sabem como são. Continue
- Com um capuz também preto
- Um lenço preto cobrindo a cabeça
- Uma foice e um laço roxo na foice
- Acho que basta... Ela tem um laço roxo na roupa

Bianca prosseguiu gritando por Sofia, a garganta já estava seca e o sol não ajudava. Depois de alguns minutos a salvação
- Eu acho que ouvi você- disse a ceifadora do outro lado da linha
- Sério?! Dá um grito pra gente ter certeza de onde você está
- Ah, não, eu estou cansada demais ...
Avistaram os três coqueiros

Bianca saiu correndo ao encontro de Sofia

- O que há com a menina?- Para os pescadores a criança estava abraçada com o nada, já que a densidade espiritual de um ceifador não pode ser vista pelos olhos humanos. O outro pescador foi até a beira d’água, molhou a mão e falando no nome de Iemanjá molhou o rosto e voltou.

- É o sol, acho que vamos parar de procurar. Vamos voltar daqui. Agradeço a ajuda

- Tem certeza que não quer que os acompanhemos?

- Claro, não se preocupem, podem ir.

- Se você diz- Os dois pescadores se afastaram do lugar
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3. O resgate
- Você precisa ir para umbra*- Disse Sofia para Bianca- Mickey está desacordado, ele e Balk estão muito feridos
*plano espiritual
- Eu não consigo, não tem como vocês trazerem eles para cá?

- Eu não posso- Disse Sofia- E quem pode, está desacordado

- Eu conheço outra pessoa que pode, na verdade não exatamente uma pessoa... espírito. Só que vocês terão que convencê-lo

- Como assim?

- Existe um espírito de um guerreiro templário que ... digamos, divide o corpo comigo. Só que ele é totalmente alheio a esse mundo.

- Nossa... Bom, mas se é o jeito...

- Alguma das duas tem um espelho ou coisa parecida?

- Eu tenho- Bianca tirou da mochila o espelho. Zel o encarou por alguns instantes e depois foi ao chão desacordado

- Meu Deus... o menino

- Tenha calma, o outro já vai acordar...
Quando Sofia termina de falar o corpo começa a se mexer e a levantar-se


- Santo Deus, onde estou?... Vim parar no deserto?... O que estão fazendo aqui ô mulheres

- Nós precisamos da sua ajuda

- Onde está teu pai, criança? Porque a deixou aqui

- É exatamente isso, meu pai e meu irmão estão na umbra e eu preciso que o senhor nos ajude

- Acaso você não vai deixar duas damas indefesas, ou vai?

- Você é a mãe da menina?

- ...
- ... Sou

- Fiquem aqui, eu irei buscá-los

Fechando as asas num plano e abrindo em outro. Eis que o cavaleiro medieval apareceu no plano dos espíritos. Vendo um jovem loiro caído e machucado no chão e ao lado um homem com apenas um braço e tendo o rosto e parte do corpo cobertos por um liquido negro. Aproximando-se do segundo o templário falou com uma voz imperiosa

- Tu és o pai da garotinha?

- Como?

- Tua esposa e filha o esperam no outro mundo homem. Não podes abandonar tua familia assim

- Esposa e filha?

O espírito abaixou-se e com um toque curou a Mickey. Algum tempo depois o querubim acordou e pôde voltar com Balk para o plano humano

- Vês aqui estão

- Papai Balk

- Ah então você é minha filha...

- Maninho

- Vem cá, dá um abraço.

- Aí estão, mulher, teu marido e teu filho.

- Se a Samantha ouve uma coisa dessa ela mata- Disse Balk

- Peraí, filho? Eu não sou filho dessa perua aí não

- Tenha mais respeito com sua mãe, menino

- Eu não, Balk, liga logo aí e pede um carro que eu to cansado demais pra andar.

- Eu ligo p'ra Samantha e ela manda o Zé Maria vir pegar a gente.

- Bom se aquela mulher vai vir eu já vou indo. Meu trabalho já foi feito- E assim Sofia desapareceu

- Com licença

- Toda

Bianca tomou a mão de Balk, que estava suja da mesma tinta negra semelhante a piche que cobria o rosto do homem, tirou o excesso do resíduo e a beijou.

- És uma clériga- Disse o espírito ao ver que as feridas de Balk fechavam-se com o beijo.- Estão se formando cada vez mais novas- disse admirado.

Depois Bianca voltou-se para Mickey
- Também tá precisando?

- Eu estou muito mal, muito ferido. - A menina riu e deu um beijo na bochecha do rapaz- Ah, seria melhor se fosse mais para o lado

- Mickey deixa a menina, você já tem a Alma em casa. Alô, Samantha...

- Ei, tu é aquele espírito esquisito que vive no corpo do Zel, não é?

- Tenha mais modos rapaz, eu sou um templário

- É e eu sou um mago feiticeiro... Sou sim, e vou aprisionar a sua alma com isso- Mickey pegou o celular e começou a gravar. Estranhando o aparelho, o templário aproximou-se

- O que é isso?

- Agora veja como eu a aprisionei mesmo- o templário viu na tela daquele pequena instrumento fua face se aproximando e dizendo
"O que é isso?"

- Samantha já está quase aqui, vamos nos apressar e chegar logo na pista

- Balk é impressão minha ou você está diminuindo? - disse Mickey
Bianca notou que também estava afundando
Areia movediça
Havia um barco tracado próximo à margem, os dois pescadores que haviam encontrado mais cedo pularam e começaram a nadar
- Isso não é bom, isso não é bom

- O que foi?- Disse Balk atordoado por não estar podendo enxergar

- Tem dois caras mal encarados nadando em nossa direção- Atalhou o querubim

- Nos encontramos com eles mais cedo

- Droga, não posso nem ver a aura deles

- Por quê?- Indagou o ex-líder dos querubins

- Por causa disto- Apontando para o negro que cobria-lhe a face e, consequentemente, os olhos.

- São magos- Disse Bianca, - E estão com raiva

- Magos Atlantes! Vamos sair rápido daqui- Balk tentava se mover para sair da areia

A areia estava os engolindo e quanto mais se mexiam mais afundavam. Os pescadores os alcançaram

- O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI?

- Nós estávamos perdidos

- MENTIRA! Vocês vieram aqui pegar pedra não foi?

- Desculpe, mas eu não faço idéia do que você está falando

- A pedra, vocês vieram pegar!

- Nós não viemos pegar nada, só estamos tentando sair daqui.
- O que houve homem de Deus? Não vês que estás a nos acusar de algo que não sabemos?

Os pescadores conversaram algo numa língua que nenhum dos presentes conseguiu entender
- Vão, e se nós os vermos por aqui novamente, não vamos ser tão bonzinhos novamente- Os homens afastaram-se e a areia parou de mover.

Mais a frente, encontraram Samantha, a esposa de Balk. Com as asas baixas e um arco na mão.
- O que houve?

- Atlantes

Samantha ergueu o arco semelhante a um de luz, a flecha portava em sua ponta um rubi, já estava concentrando-se para disparar no barco que movia-se sobre a água sem a menor influência dos ventos ou maré. Admirada, Bianca olhava o porte daquela mulher, uma arqueira. E pelo brilho, do arco, uma provável maga de luz.
- Não precisa, ele apenas estavam procurando algo

- Parece que eles achavam que nós tínhamos pegue uma pedra

- Talvez isso?- Samantha tirou da bolsa uma grande pedra de diamante

- Meu Deus... Guarda isso antes que eles descubram- Disse Bianca meio afobada. A mulher sorriu

- Vamos indo, o carro está na estrada

- Ah, deixe-me apresentar, esta é Samantha Barthory, minha esposa.
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4. Os Barthory
- Bianca Angellin. Prazer. A senhora é muito bonita

- Pode me chamar de Samantha mesmo, e você também é muito lindinha...
Bianca abriu o guarda chuva e chamou Samantha para baixo, e assim seguiram as duas sob o guarda chuva

Chegando a estrada o espírito parou e disse
-Já que minha missão está cumprida, eu partirei com a graga de Deus- e desmaiou caindo com a cabeça no asfalto

- Vamos para minha casa, então. Algum problema Bianca?

- Eu tenho que voltar pra casa...

- Mais tarde eu te deixo lá de carro...

- Vamos, tem piscina, lá- Disse Mickey incentivando

- Você pode aproveitar para comer alguma coisa, beber um suco- Disse Samantha entrando no carro

- Tá bom...

- Eu vou apenas passar para beber uma água e depois vou voltar à catedral- Disse Zel levantando-se- Ainda tenho coisas a resolver

- Você quem sabe- Respondeu o Anfitrião

Chegando a mansão dos Barthory, Bianca vê logo na entrada um belo jardim de roseiras vermelhas. Samantha entra junto com Bianca e pede para que tragam um suco para as duas. Mickey vai a piscina tira a blusa e se joga.

- MICKEY! PASSA NO CHUVEIRO ANTES DE PULAR! - Samantha detestava quando o querubim fazia isso.

- Deixa ele... vem me ajudar a tirar isso...- Balk entrou com sua esposa casa a dentro.

Algum tempo depois Balk voltou, agora já sem o negro que lhe cobria a face, Bianca adimirou-se com a beleza do homem, um dos mais belos que já vira. Um encanto apenas quebrado pelo rubro, causado pela áqua quente que fora utilizada para tirar a tinta negra e pela ausência do braço esquerdo.
Tinha emfim conhecido o homem que fora líder da falange.
Havia conhecido a mansão dos Barthory

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