Estrelas


Sentada nos degraus da catedral, sem um rumo ou direção. Nesse momento eu não sou diferente dos humanos que vêm a essa igreja rezar a procura de consolo e orientação.
Parei de tentar um diálogo com Julius, sua raiva e desapontamento para com a minha pessoa não se fazia explícita, mas eu podia sentí-las. Porfim, parei de falar e deixei que ele se recolhesse a seus aposentos.

No entanto, eu permaneci no mesmo local. Apoiada nas paredes daquela
imensa construção que e fazia sentir mais segura.
A casa de Deus. A morada dos anjos. A minha morada.

Anjos, alados celestiais, as estrelas-guia de gerações.
Todos os anjos deveriam ser como estrelas. Iluminados, firmes, intombaveis e intocáveis.

Mas, no realidade, talvez os anjos não sejam
como estrelas e sim como as pérolas. Apenas grãos de areia que vão se moldando, se transformando. Dia a dia, sacrifício a sacrificio, aprendizado a aprendizado. Seu caminho trilhado é que o transforma em algo especial e raro.

Uma perfeita obra da criação divina.


Talvez nem todo anjo nasça perfeito em sua magnetude. Anjos não são perfeitos, perfeito só existe Deus...

As imponentes estrelas, as pérolas perfeitas e puras que conseguem brilhas no abismo do mar celestial, as inatingíveis estrelas me lembram a familia, me lembram meus pais. Algo que parece estar tão perto. Algo que sempre está lá quando você olha, mas, não importa o quanto você tente, você nunca irá conseguir tocá-los.

Meus pais... Eles saberiam a melhor e mais justa forma de agir nesse momento, se eles estivessem aqui, nada estaria como está.

Mas eles não estão...

As pálpebras já pesadas teimam querendo descansar. Um dos guardiões se aproxima e me aconselha a entrar. O vento frio da madrugada me arranca para a realidade. O mundo era frio e sombrio como aquela noite. Sombrio e solitário.

No corredor, longe da vistas de todos, minhas lágrimas que insistiam em cair não tinha consolo. Pela primeira vez em 15 anos eu senti a solidão de não ter ninguém.Mas, a 15 anos a trás, eu ainda tinha Alexander a meu lado.

Mesmo se no vale da sombra e da morte tiveres que passar,
mesmo que muitos te deixem ele não te deixará.

Só Deus estava a meu lado agora. E em algum momento eu iria entender o quebra cabeças que ele estava pondo em minhas mãos para que eu entendesse. Deus ama a todos os seus filhos mas isso não significa que ele passe sua mão sobre a cabeça de todos. Ele deixa que seus filhos tentem e descubram seus caminhos, e se esses filhos tiverem que se machucar para tal, ele não irá por a mão para aparar a queda.

Deus é um pai perfeito.


Silenciosa, a espada em sua mão pesava ao corpo cansado, que estranhava os novos contornos do cabo. Uma mão que empunhara por longos anos a mesma espada agora procurava se adaptar à nova arma.Olhei para a arma como se procurasse alguma reação, alguma resposta às minhas aflições. Mas nada veio.
Você tem um nome? O que você acha se ser uma seseguidora de cristo? A Shivani era uma propagadora da fé, você poderia ser uma seguidora de Cristo. O que acha de Christie, é o nome de uma guerreira da minha familia da qual meus pais falavam com muita admiração.

Continuando... Mas pelo que eu estou falando, Christie, você vai achar que Deus é um pai cruel, mas ele não é. Nenhum pais dá pedra a um filho que têm fome e pede pão. Ele jamais abandona um de seus filhos. Por isso, minha amiga, eu digo que eu e Deus somos uma dupla inseparável.

Por falar em dupla eu fiquei preocupada com a Shivani agora, você vai gostar de conhecê-la. Ela era uma ótima espada. Você também é muito bonita mas... Não importa, vê como eu digo que os planos de Deus são a prova de falhas? Ele não impatou que me tirassem a Shivani para que eu aprendesse a ser mais cuidadosa, mas, em contrapartida, ele de deu você, minha bela Christie.

A voz trava mais uma vez e os olhos tornam a lacrimar, uma lembrança dolorosa, uma saudade que apertava o peito, o presente dado por sua mãe, o fragmento dela, a memória, o gesto. As lembranças de uma época longínqua onde todos viviam em paz. Adriel e Alice vivos, Alexander e Beatriz a meu lado. Precisei me apoiar na porta do quarto para para não perder o equilíbrio.

Silenciosamente, abri a porta. Siquer prestei atenção se meu companheiro de quarto- Adrian - estava ou não. Procurei cautelosamente em minhas coisas um item não muito incomum numa caixinha de louça, cruxifixo ornamentado ferro. Além disso, um isqueiro normalmente utilizado para esterilizar instrumentos.

Com os dois em mãos, saí do quarto. Parti para o lugar mais reconfortante de toda catedral.
O quarto do antigo líder dos querubins. Dessa vez, não estava a procura de informações, ou de ver como estavam as as coisa em Londres. Queria apenas um lugar que não fosse apreensivo, ou que emanasse responsabilidade.


Naquele quarto, eu não tinha que me preocupar em ser a salvação de uma familia, ou de ser a mãe do laço de ninguém. Sabia que o Mickey iria me esganar quando voltasse de Londres, isso é, se eu ainda estiver viva até lá.[

Então, agora é a hora de ter a coragem.

A chama começa a envolver o crucifixo, a labareda o cobre e começa a fazer a ponta avermelhar.
Era isso o que queria, um crucifixo em brasa para marcar a ferro uma união que nunca deveria se romper. Não importa o que eu faça, não importa que atitude eu tome. Deus sempre estará comigo.
Veja e admire Christie, decore todos os detalhes para contar para a Shivani o que ela perdeu.

Usando de meus milagres para que não sentisse dor, invocando aos céus coragem para o que pretendia fazer e pelos céus sendo atendida segurei o crucifixo incandescente com a palma da mão o pressionei contra o pulso contrário. Marcando assim a palma da mão e o pulso.

Curei um pouco as feridas, o suficiente para proteger a queimadura exposta, mas sem evitar que os contornos das linhas avermelhadas do cruxifixo virassem cicatrizes. Depois de enfaixar as marcas me preparei para começar a rezar. Presizava pensar e aliviar minha mente, conversar um pouco com Deus para ter certeza de que as minhas decisões estariam corretas- ou pelo menos, menos catastróficas-

Sabia exatamente o que iria fazer apartir de agora. Todos os dias, iria usar de todos seu potencial de cura para tentar fazer despertar a Principado, no restante do tempo, iria ajudar Uriel a terminar os relatórios que interrompera ele de fazer e ajudar com seus conhecimentos de medicina na ala médica da catedral. Esses eram seus planos.

Não iria mais lutar uma guerra que não era minha.
Um mundo que não era meu.
Se todas as minhas ações até agora só prejudicaram. Que façam então eles sozinhos o que desejam.

Não vou mais prejudicar ou estragar plano algum. Não precisam mais de minha ajuda. Eles já possuem Adrian para localizar e Padawan para curar. Se é o que desejam, vou ser a bonequinha trancada e quieta, encoleirada e obediente... Uma boneca de porcelana em sua estante para não causar mais problema algum... se era isso que queriam, é assim que vai ser.

Pretendo me despedir de André e Beatriz definitivamente. Minha irmã está bem melhor agora que eu mesma. Tem André e Alex para ajudá-la e protegê-la. E não serei eu quem irá destruir esse mundinho de felicidade, tão delicado e instável. Uma bola de cristal de gelo a borda da boca de um vulcão adormecido. Galgado em uma vida de mentiras, mas mentiras que evitaram dor e sofrimento.

O que se faz melhor?
Um falso e ludibriado mundo de felicidade
ou
um verdadeiro e honesto mundo de tristeza?

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