"Medo do escuro".
- Papai, mamãe e Alexander vão treinar lá fora viu, nós não vamos para longe. Se alguém falar, finjam que a casa está vazia, não respondam. Nada de barulhos. Mas se alguém entrar ou forçar a entrada gritem.Minhas princesas, gritem o mais alto que conseguirem. - Dizia Adriel gurando as mãos de suas filhas que estaam lado a lado.
Essas sempre foram as normas da casa. Sempre que iam sair, um deles repetia sempre as mesmas instruções. Uma vida tendo que fingir que não existe.
- Vamos, Adriel, o filhote já está lá fora- Disse nossa mãe da porta.
- Estou indo,- Respondeu auto o suficiente para que ela o ouvisse, depois voltando-se a nós duas- cadê o beijo do papai...- Sempre muito carinhoso no pouco tempo que passavam conosco.
E assim eles saíram como de costume. Eu e Beatriz ficamos brincando na cozinha. Algum tempo depois Alexander entrou pelas portas dos fundos.
- Esqueceu alguma coisa, maninho?- Disse Beatriz ao vê-lo
- Me mandaram aqui para levar vocês, parece que a mãe e o pai querem mostrar algo. Vamos?!- Dizendo isso ele estendeu as mãos para nós duas. Beatriz segurou numa delas e eu me levantei sozinha.
- Vou pegar uma coisa antes.
- Rápido Beatriz, eles estão com pressa. Depois você pega.
- O que aconteceu Alzinho? Está confundindo nós duas agora, é?!...- Brincou Beatriz rindo. Confundir nós duas era uma coisa que Alexander nunca fazia.
- Você ... não é o Alex-Falei com uma firmeza que na verdade eu não tinha. Beatriz ficou séria
- Que isso, menina, é claro que eu sou.
- Não...-Aquele não era o jeito de falar dele, eu tinha certeza- não é ... ALEX- Comecei a correr em direção a porta da frente- AAALEEX!- gritava com todas as forças dos meus pulmões.
Beatriz e o suposto Alex corriam atrás de mim. Quando cheguei a sala vi a porta abrir...
- O que foi, Bia?- Eu continuei a correr e o abracei- Aconteceu alguma co...- Ele não terminou a frase.
Se calou ao ver alcançando a sala Beatriz e o seu "clone". Ao me ver Abraçada com o Alex Beatriz correu imediatamente antes que o outro a pegasse.
O Clone sorriu.
- Vamos ver quem é o mais rápido?! - disse
Entraram, quebrando as janelas de vidro, criaturas de preto que estava em cima do telhado. Suas vestes lembravam as de ninjas.
- O que vocês querem aqui?- Me assustei ao ouvir a voz do meu pai surgindo atrás de Alexander. Nossa mãe se abaixou até nós e nos abraçou.
Não houve resposta da parte dos invasores.
Eles apenas investiram contra nós.
- ALEXANDER - Gritou nossa mãe enquanto afastava os seres, que se moviam como sombras, que se aproximavam de nós - PROTEJA AS MENINAS! ... Nós cuidaremos do resto.
E assim uma luta se iniciou em frente aos nossos olhos. Alexander nos afastou um pouco da sala mas não nos movemos muito. Eu e Beatriz começamos a chorar e a gritar, é normal que crianças tenham medo. A morte nos assustava. Até que ouvimos o grito de nosso pai, como todas as outras vezes em que isso acontecia ele gritava...
- ALICE, A LUZ- já sabíamos o que isso significava. Já entendíamos o que estaria por vir.
Escuridão
E todo o local enegrecia do modo que não podíamos enxergar mais nada. Uma escuridão tão densa que parecia exercer um peso sobre nossos corpos. Apenas ouvíamos os grunhidos de dor, o titilar do metal.Ficavamos em algum canto da sala acuadas com Alexander a nossa frente afastando os que se aproximavam de nós, mas não impedia que as mãos, as vezes ensanguentadas, nos agarrasse, procurando uma forma de nos raptar daquele lugar.
Um pesadelo
E quando tudo terminava, a luz tornava ao lugar, víamos a casa repleta de corpos, e as paredes tintas de sangue.
(Alice)
Depois, nos mudávamos de casa, de cidade, de estado. Mas as cenas se repetiam. A escuridão sempre tornava... Com monstros que queriam nos pegar.
Eu tornava a ouvir os gritos abafados e a sentir as mãos, as vezes gélidas ou molhadas pelo sangue, a me alcançar numa tentativa de me carregar para algum lugar desconhecido.
Essas cena se repetiram mais que uma, duas ou três vezes. Eu cresci assim. Entre tempos de paz e tempos de medo. Nos escondendo de sombras que sempre tornavam a nos encontrar e nos atacar. E com as sombras vinham as trevas e com as trevas vinha a dor...
O desespero
O medo
A apreensão
Uma rotina que marcou muito mais que a minha memória.
Uma rotina que marcou a cerne do meu ser
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