II - Good Bye Alex

Era mais uma noite normal na casa dos Angellin. Adriel estava pondo as gêmeas para dormir com mais uma de suas histórias eletrizantes e empolgantes, enquanto Alice e Alexander voltavam de uma reunião na Arquidocese.
A vice líder do Grupo Especial IIC
( Investigação, Infiltração e Captura) da Aquidiocese de Belo Horizonte havia recebido um requerimento do próprio
Don Joaquim Giovani que iria abalar tranquilidade da rotina de sua casa. Uma notícia difícil de receber, uma noticia difícil de se repassar.

- Eu disse: Você não me derrotaria nem em mil anos... E vocês sabem o que ele fez?

- O quê... O quê, papai?- Gritavam Bianca e Beatriz pulando na cama

- Ele sacou a sua espada assim... - Dá um pulo para trás e imita o gesto - AHA!-Apontando um ursinho de pelúcia para as meninas como se fosse uma lâmina - Ele avançou pra cima de mim, mas eu esquivei num giro e a mamãe ovelha encontrou seus filhotinhos e todos viveram felizes para sempre - Disfarçou após ter visto Alice encostada na porta no rodopio que dera - Fim da história. Podem dormir agora meninas - Com um bocejo ensaiado ele afasta-se calmamente da cama de Beatriz indo em direção à porta

- Mas a gente não ta com sono!

- É, a gente quer lutar!

- Lutar com espadas HAHA!

As gêmeas começaram uma guerra de travesseiros, Alice observava sem nada dizer enquanto Adriel se aproximava, também ignorando os gritos e os pulos sobre as camas

- Está tão séria... Está com raiva porque as meninas não estão dormindo?

- Não é isso- enfim desviando o olhar e afastando-se do quarto e seguindo para a sala

- Foi aquele projétil de anjo? Aposto que ele tem alguma coisa a ver com isso. E por falar naquele traste, onde está o inútil que não veio por as meninas pra dormirem? Já está fugindo do trabalho?- a acompanhando

Alice semblante sério, um olhar molhado. Uma expressão atípica da mulher vivaz e altiva que costumava ser. O cabelo amarrado por uma trança que, frouxa, deixava escapar alguns fios.

* * *

- O que eles estavam conversando?- disse Beatriz curiosa
- Vamos lá ouvir
- É mas se eles nos descobrirem, nós vamos levar um carão e ficar de castigo
- Então vamos fazer com que não nos descubram... por quê? 'Ta com medo, Beth?
- Não, mas é que...
- Não estaremos fazendo nada demais, apenas treinando
- Treinando?
- Investigação, infiltração e espionagem hehehe
- Eu sei que nem a mamãe nem o papai vão acreditar nisso, mas vamos...

* * *
- Adriel... Sente-se!

- Por que eu tenho que me sentar?

- Leia. - Alice entregou a ele um envelope, sem entender o porquê de toda aquela cerimônia Adriel o abriu e começou a ler
- O que significa isso?
- A cidade de prata concluiu que ele deverá fazer parte de uma outra falange. - Adriel franzia o cenho enquanto lia - Como você pode ler, ele irá se apresentar amanhã mesmo. Eu também achei um pouco repentino, mas você sabe como eles são...

- Eu não aceito isso!- Disse levantando-se em protesto

- Adriel

- Eu estou treinando ele, eu digo quando ele estiver pronto para partir e eu digo que ele ainda não está pronto. Eu ainda tenho muito a ensiná-lo- Adriel estava nitidamente alterado. Indignado com as palavras lidas.

- Adriel acalme-se. Assim você até parece seu pai falando

- Alice, ele não vai durar um minuto lá fora.

- Você o treinou bem, ele tem potencial. Ele não é amais aquela criança Adriel. Seu projétil de anjo já se tornou um Anjo há muito tempo. Você deveria esperar por isso

- Alice... Mas isso não está certo!- Esbravejava inconformado

- Ele já sabe se cuidar, Adriel, e você sabe disso. Ele não é mais indefeso há muito tempo.

- Nós trabalhamos em uma equipe. Como vamos ficar? Só nós dois novamente? Você sabe que as habilidades dele são de grande ajuda.
- Mas o lugar dele não é enfrentando as coisas que a gente enfrenta. Ele tem que lutar ao lado de anjos do nível dele, enfrentando seres do nível dele.

- Você fala como se apoiasse essa ideia!

- O que você está querendo dizer com isso?

- Que parece que você quer que ele vá

- Agora a culpa é minha? E que preocupação toda é essa? Não é você mesmo que vive chamando ele de inútil, e vive destratando o menino?

- Isso não tem nada a ver. E por falar nele, onde ele está? Estava tão apressado assim para nos abandonar que nem veio dar o comunicado? Ficou logo por lá foi?

- Não seja injusto. Nem eu nem ele temos culpa nisso. Apenas é uma coisa para qual você deveria ter se preparado

- MAS QUE %*£@!!!- Chuta a mesa a quebrando

- Não desconte nas coisas!! A mesa não tem culpa se você é um cabeça-dura como Malquiel.
- Não me compare a ele!- Disse friamente
- Então não se comporte como ele!- Respondendo no mesmo ton.

Os dois se encaram por alguns segundos até que Adriel desfaz a expressão de transtorno e suaviza o semblante.

- Vou tomar um ar

- Por favor, não saia das redondezas, eu vi um movimento, e ouvi algumas coisas.... você sabe...

- Espero que não chegue o dia de nos separarmos das pequenas também

- Mas, meu amor...

- Me desculpe, eu sei, eu sei... Você tem toda a razão. Vou tomar um banho...

Adriel sobe as escadas, imerso em seus pensamentos, siquer ouve o som dos passinhos apressados que corriam pelo corredor. Entra no quarto do casal e se joga na cama.

* * *
Alice se deixa cair no estofado. Estava preocupada, mas sabia que no fim tudo daria certo. Conhecia o gênio do marido, conhecia o gênio do seu tio. Apesar de diferentes em muitas coisas, Adriel havia herdado da teimosia do pai. Empurrou com o pé os pedaços de vidro e madeira da mesa quebrada pela fúria do Captare. Alice fecha os olhos e tenta descansar um pouco.

- Mamãe?

- O quê?- Assustando-se com o sussurro ao pé do ouvido

- A gente está com fome- Bianca estava encostada no sofá, enquanto Beatriz estava mais atrás com uma cara de assustada

- Oh minhas lindinhas. Venham, vamos fazer alguma coisa para comer.

- Papai está com raiva?- Disse Beatriz olhando os pedaços da mesa no chão

- Aconteceram uns probleminhas que ele não esperava e ele se estressou

- Probleminhas?- Estranhou a caçula da casa

- O "Al" vai embora?

- Como você soube disso, Bianca?

- Papai estava gritando, queria que a gente não ouvisse?- Disse rapidamente Beatriz- Mas, o Alequis vai mesmo embora?

- Eu não quero que ele vá - Disse Bianca já com os olhos cheios de lágrimas

- Confiem em mim. Vai dar tudo certo...
Mamãe está pensando beeem na frente e já sabe o que fazer- Agora vamos aprontar uns hambúrgueres pra gente comer?
- VAMOS!- Disseram quase num coro
No meio da noite:
- Ainda não entendo o porquê de ele não poder continuar com a gente

- Adriel, eu já estou ficando cansada

- Mas veja bem, se ele está enfrentando seres além do seu nível isso exige que ele se esforce e evolua a mais que os da sua idade

- Mas isso também que ele está correndo um risco desnecessário

- Todo risco vale a pena se a alma não é pequena

- Arg Adriel!!!

- Mas é a verdade

- Boa noite!!

- Já, você não quer conversar mais um pouco?

- NÃO!

- Mas, meu amorzinho

- Eu quero dormir e descansar

- Que tal a gente passar essa noite em claro?

- Para eu passar a noite toda ouvindo você reclamando? Não, muito obrigada.

- E se eu tiver outros planos para uma noite em claro?

- Eu penso no seu caso
A despedida:
- Vá com Deus, filhote. Se cuide e apareça quando puder para nos visitar.

- Acho que não vou aparecer por um bom tempo, pelo que eu entendi

- Alequis, você num vai esquecer de mim não, ? - Disse Beatriz o abraçando

- E como eu poderia esquecer você, Beatriz?

- E eu?- Resmungou Bianca mais atrás

- De você eu acho que esqueço.- brincou

- Hahaha- ri ironicamente. Alexander aproxima-se para dar um abraço e recebe um soco na barriga- Hum! Acho que agora você não esquece mais, não é, Al?

- Está violenta, hein?

- Al, cê tem mesmo que ir embora?- Comentou Bianca num gentil abraço- Eu não quero que você vá.
- Infelizmente... - Alex é interrompido por uma voz fria e masculina que descia as escadas

- Ele tem que ir, Bianca.

- Pensei que não iria se despedir de mim... Adriel - O jovem captare virou-se e encarou aquele que havia lhe ensinado todo o que sabia

- Isso prova que você ainda tem muito o que aprender... Alexander
- - -
- Mamãe, eu sinto uma aura pesada no ar

- Realmente há uma nuvem negra nessa sala e dessa vez eu não tenho nada a ver com isso
- - -

- Você cresceu, está seguindo o seu caminho e a partir de agora andará com suas próprias pernas.

Não esqueça de onde você veio, não esqueça de quem você é. E antes de tomar qualquer decisão pense se ela fará com que seus netos se orgulhem dela.

Você é um Captare, você é um Angellin. Nunca esqueça isso. Nunca duvide do poder que essas duas frases representam. Captare e Angellin, não são apenas casta e sobrenome, são títulos. Carregue-os com honra. Morra honradamente, e viva honradamente. Torne-se um verdadeiro guerreiro


Um guerreiro cai, e consegue se reerguer.
Ele chora e elimina seus temores
Ele erra, mas descobre o certo

Em sua espada trás a paz
Em seu punho trás a força
Em sua alma o conhecimento
Em si, a confiança

Ele perde, mas aprende a vencer
Ele luta, mas tenta conversar
Ele cansa, mas sem desanimar

Sua presença trás a ordem
Sua palavra trás a paz
Sua honestidade o torna nobre
E mesmo irado, sabe o que faz

Ele sofre, mas aprende a sorrir
Ele é surpreendido, mas aprende a cautela
Ele sonha e faz seu sonho se cumprir
Ele gasta, mas mantém sua reserva


Ele é firme, mas ordena com brandura
Ele é forte, mas usa a doçura da palavra
Ele exige, mas consegue com a ternura
Usa a sorte... Que ele mesmo criara

[Código de um Guerreiro. Camilla Keilhany]

- Meu pai me repetiu isso várias vezes. Achei que talvez você também precisasse escutar.

- Nunca imaginei que você escutasse o que Malquiel diz

- Ele repetiu tantas vezes que eu decorei. Agora venha, dê um abraço no homem no qual você aspira se tornar. Na pessoa que você tanto admira e nutre profunda devoção. Talvez até mesmo um amor platônico...

- Só nos seus sonhos...

- Que as mãos do criado protejam seus passos... Essa não é mais a minha missão...

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E assim Alexander se foi...
Good Bye Alex.
Vamos descobrir como as coisas ficaram sem você...

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