Domingo. 24 de Setembro de 199316º dia após a morte de Beatriz
2º dia após a morte de Alice e Adriel
Despertando de um sono prfundo, acordando para um pesadelo. Alexander sente finas mãos em seu peito nu a sacudir-lhe.
- Acorda Alex!- O rapaz solta um murmuro qualquer, passa o braço pela cintura da menina fazendo-a deitar-se a seu lado
- Eu to tão cansado
- Alex se veste, tem gente lá em baixo.

O captare desperta sobressaltado, veste uma blusa qualquer e desce as escadas. Bianca o segue mais atrás, mas, fica escondida no topo da escada

O captare desperta sobressaltado, veste uma blusa qualquer e desce as escadas. Bianca o segue mais atrás, mas, fica escondida no topo da escada
- Como conseguiu entrar?
- Eu tenho a cópia da chave. Me desculpem, mesmo a casa sendo minha eu não p/- As explicações do anjo foram interrompidas.
- Como eles estão?
- Parece que você está bem apressado.
- Não estou preocupado com formalidades, quero saber como eles estão
- Alexander... Você pode se sentar um pouco? Esse assunto é muito delicado.
O rapaz encosta-se no corrimão da escada, olha para o alto e vê apenas alguns fios dourados de cabelo aparecendo. Respira fundo. O Anjo a sua frente estava apreensivo, embora tentasse demostrar traquilidade. Todos alí presentes já sabia do que se estava falando, não havia mais surpresa.
- Diga o que veio dizer
- No fundo você já sabe, não é?! Eu vim apenas dar o comunicado oficial. Além de deixar a disposição de vocês todo o meu apoio e ajuda.
- Eles... estão mortos?- Disse a menina no topo da escada, o rosto já vermelho e os olhos que expressavam um misto de dor e de inocência. Alexander começa a subir as escadas enquanto o anjo olhava comovido para a criança.
- Alice e Adriel foram bastante feridos...- Disse o anjo olhando para a criança - Nós... não conseguimos ajuda a tempo... - Alexander chega ao topo, pega Bianca nos braços e começa a caminhar ignorando a presença do anjo na base da escada.
- No fundo você já sabe, não é?! Eu vim apenas dar o comunicado oficial. Além de deixar a disposição de vocês todo o meu apoio e ajuda.
- Eles... estão mortos?- Disse a menina no topo da escada, o rosto já vermelho e os olhos que expressavam um misto de dor e de inocência. Alexander começa a subir as escadas enquanto o anjo olhava comovido para a criança.
- Alice e Adriel foram bastante feridos...- Disse o anjo olhando para a criança - Nós... não conseguimos ajuda a tempo... - Alexander chega ao topo, pega Bianca nos braços e começa a caminhar ignorando a presença do anjo na base da escada.
- Alexander!- Diz o anjo com voz firme. O captare para de andar, mas permanece de costas para o Anjo.
- Você deveria demostrar mais respeito a um superior.
- E você deveria demostrar mais respeito à nossa dor.- respondeu sem se virar
O anjo respira fundo - Caso precise de mim, Alexander, sabe onde me encontrar ...
O rapaz continua a caminhar. A menina em seus braços o abraça forte. Um abraço apertado. Como se quisesse evitar que aquele que a carregava se despedaçasse.
Alexander sentou-se na cama, sabia que não tinha como eles escaparem, mas ainda tinha suas esperanças.
- Eu... realmente tinha esperanças que eles escapassem. Existem querubins capazes de fazer anjos voltarem à vida. Eu... eu realmente pensei que eles tinham chance - Bianca não falava, apenas o apertava- E agora? Como vai ser daqui para frente?
Alexander estava emocionalmente arrasado. Não era preciso ser nenhum gênio para perceber. Durante alguns dias ficou extremamente calado, não saia de casa e mal se alimentava.

Alguns dias depois...
Mais uma vez Alex é despertado da cama com os pulos de Bianca sobre a cama.
Alexander sentou-se na cama, sabia que não tinha como eles escaparem, mas ainda tinha suas esperanças.
- Eu... realmente tinha esperanças que eles escapassem. Existem querubins capazes de fazer anjos voltarem à vida. Eu... eu realmente pensei que eles tinham chance - Bianca não falava, apenas o apertava- E agora? Como vai ser daqui para frente?
Alexander estava emocionalmente arrasado. Não era preciso ser nenhum gênio para perceber. Durante alguns dias ficou extremamente calado, não saia de casa e mal se alimentava.
Relatório dos últimos acontecimentos
Realmente eu estava precisando de um tempo para escrever, foram tantas tragédias de uma única vez que eu estava para enlouquecer. Primeiro Beatriz, agora Adriel e Alice.
Não consigo parar de pensar no que ocorreu e noto que Bianca tem percebido isso. Não vou nem posso negar o quanto tudo isso mexeu comigo.Eles não podiam ter feito isso, eles não tinha o direito de morrer.
Não podiam nos deixar para trás.
Tento não posso demonstrar fraqueza já que quando tenho perto de mim uma flor prestes a se despedaçar. Sinto que se eu não estivesse ali... ao lado dela, ela não conseguiria suportar. Duas perdas tão próximas uma da outra, tudo o que nós tínhamos...
Bianca não sabe, mas se ela não continuasse a meu lado num momento desses, se eu não tivesse ninguém para proteger, ninguém por quem ser forte e segurar a barra, seria eu quem iria despedaçar.Me partir em mil pedaços.Teria corrido inconsequentemente atrás do infeliz que causou tudo isso. E com certeza um dos dois iria ao chão nesse encontro. Sem me preocupar com mais nada já que não haveria mais o que se perder. Eu não me importaria de ir ao inferno se fosse carregando a alma do desgraçado que me tirou tudo
No entanto, eu tenho que ser mais prudente, não por mim, mas pela pequena. A única coisa que ainda me prende aqui. Depois que nós dois estivermos recuperados eu vou voltar a ativa.
Pretendo retomar os trabalhos inacabado de Adriel e Alece, vou descobrir o autor de tudo isso e lavar a honra da minha família no sangue daquele infeliz.

Diário de Bianca: Desabafo
Nos foi comunicado oficialmente a morte dos nossos pais.Alexander desmoronou.Nunca imaginei vê-lo dessa forma. Agora eu não posso mais chorar, porque noto que quando eu choro ele só piora. Nesse momento o Alex precisa de alguém que o ponha pra cima, que o ajude a levantar e não mais um peso ou alguém que dependa dele.
A partir de hoje eu faço uma promessa para mim mesma: Exceto por motivos de dor- que não tem como se controlar e ainda sim eu vou tentar- o Alex não vai mais me ver chorando. Eu vou ser forte e vou fazer tudo o que tiver ao meu alcance para ajuda-lo. Espero conseguir.
Queria minha mãe a meu lado, ela saberia o que fazer, ela sempre tinha as palavras corretas para se dizer.
Queria meu pai a meu lado, uma pessoa que sua simples presença animava e inspirava qualquer pessoa, um alguém admirável.
Queria a Beatriz aqui comigo, a outra metade de mim-Literalmente-
As vezes me bate uma esperança de que ela ainda esteja viva, de que eu ainda possa encontra-la. Mas aí vem a realidade a minha frente querendo destruir com as minhas esperanças. Talvez eu não me conforme por não ter visto eles - tanto meus pais quanto a Beatriz - realmente mortos. Fica no meu intimo aquela dúvida que não cala.O mascarado pode ter voltado à nossa casa quando eu fui embora, pode ter ateado fogo em tudo assim como pode tê-la sequestrado. Os homens de branco podem ter levado meus pais como cobaias, reféns ou qualquer coisa do tipo. Como se eu quisesse acreditar em qualquer coisa que não seja o fato de que eles nunca mais estarão ao alcance das minhas mãos.
Agora eu só tenho o Alex e agradeço a Deus todos os dias por esse presente.
E por falar em presente, amanhã eu faço 13 anos. É triste pensar que a partir de agora... haverá só uma pessoa soprando as velinhas
Mas eu estou realmente obstinada, eu vou ouvir o que a minha irmã me disse, eu não vou parar de sorrir. Vou ter garra e vou erguer o Alex.
Palavra de Bianca Cohen Angellin.
Boa noite, Diário, e vê se não espalha isso pra ninguém.
Alguns dias depois...
- O que foi, Bianca?- Tentando lutar contra o sono
- Alex, eu quero ver o mar
- O quê?- tentando organizar os pensamentos
- Eu quero ver o mar
- Bianca...- O captare respira fundo, e responde numa voz doce quase num pedido- Hoje não...
- Por favor... o mar reanima a gente. E você tem que admitir que a gente está precisando. Já está na hora de sair do casulo, respirar os ares de fora, sair desse quarto.
- Ah, eu não aguento.- Caindo novamente na cama
- Aguenta sim, vamos, leeeeeeeeeeevanta. -Puxando ele pelo braço tentando, sem exito, levanta-lo
- Mas ainda é cedo...-Bianca o solta e ele agarra um travesseiro
- Exatamente, por isso você não pode alegar que está tarde pra ir.
- Bia, eu não estou com ânimo para ir à praia
- Por favor, por favor, por favor...
- Você pretende mesmo me vencer pelo cansaço? Você acha que consegue?
- Sinceramente, não. Mas não custa tentar.- Com cara de menina sapeca.
Alexander a admira por um instante e nada é dito, até que Banca quebra o silêncio - Vamos?
- Só você, Bianca. Só você pra me fazer levantar num dia desses.- Levantando
- Aew, Alex eu te amo- Pulando em cima dele- eu te amo, te amo, te amo...- O rapaz a segura.
- Assim você me desestimula a ir
- Ta bom, vá, vá- Alexander arruma o cabelo da irmã, despenteado por causa de tantos pulos. Apesar de toda a agitação e de todos os risos, ainda podia-se perceber um olhar cansado e triste de alguém que está controlando e se segurando para não transparecer o que sente ou desabar diante da dor. Alguém que está lutando a cada segundo para não perder o sorriso, mesmo que seja um sorriso forçado ou triste.
- Você... eu fico muito feliz em ver o quanto você está se esforçando.- Me esforçando?
- Estive pensando... você ficou muito abalada com a perda da Beatriz, eu pensei que a perda dos nossos pais você não iria... melhor, você não iria...- procurando as palavras corretas.
- Alex, essa casa só tem lugar para um depressivo. Quando um de nós dois cair o outro tem que ficar de pé e ajudar a levantar. Temos que ser o apoio um do outro, em todos os momentos, a qualquer hora. Só temos um ao outro agora.
O captare afasta o cabelo e beija a testa de Bianca.
- Só temos um ao outro...-Alexander parece mergulhar no significado dessas palavras, além deles não havia mais ninguém. Sua face entristece, e os olhos de Bianca parecem entristecer também diante de si, até que ele retoma um sorriso e continua a falar- E nunca vamos nos separar, certo?
- Juntos pra sempre? Aconteça o que acontecer?- Diz a menina animada
- Para sempre- Ele confirma
- Só nos dois?
- E você precisa de mais alguém?
- Não
- Então?!
- Inseparáveis por toda eternidade infinita...?! -
Alexander confirma com um gesto enquanto se ajeita para deitar novamente
- Agora para de enrolar e vá tomar banho, que uma praia nos espera.
- Você ainda quer ir a essa praia?- Com uma cara de drama
- Mas é claro.- Empurrando ele para o banheiro.
- Bia... - [disposição = 0]
- Liga esse chuveiro!- ele liga o chuveiro automaticamente - Agora, se apresse! - Bianca vira de costas e começa a sair. Até que sente uma mão a segurando e jogando em baixo da água do chuveiro.
- ALEX! Eu já tava toda arrumada!- Alexander apenas ria
- Agora você também vai ter que se arrumar.- Dizia enquanto se molhava também.
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Para enfrentar a dor, muitas pessoa se apegam a drogas ou à qualquer coisa que lhes tire da realidade que tanto as machucou, para esquecer as perguntas que desassossegam a alma. Mas a resposta as vezes está na forma como você encara os obstáculos e como você se apega às dádivas da vida.Rir, brincar, descontrair, sair de casa, ver o mar, ver uma flor desabrochar, presenciar um milagre, presenciar a força de Deus agindo e movendo as forças da terra. Ter fé, acreditar em si, acreditar no próximo e amar.
Amar a alguém.
Porque um guerreiro que não luta por algo nunca chegará a lugar nenhum.Um guerreiro que não luta por alguém, nunca demonstrará realmente toda a sua capacidade.
Porque sem amor nós nada seriamos, e nada se é, quando não se tem para quem ser.
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