Sábado. 23 de Setembro de 199315 Dias após a morte de Beatriz
1 dia após a morte de Alice e Adriel
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Um eterno amanhecer.
Bianca olhava admirada para o local. Encantava-se pela Cidade de Prata, onde cada distrito tinha sua característica marcante.
Bianca estava lá, naquele dia, sem entender exatamente o porquê. Já que Alexander não gostava de sair com ela, não gostava, principalmente, de leva-la àquele lugar onde os céus sempre permaneciam de uma mesma forma.
Alexander andava a passos largos e Bianca tinha que se apressar para acompanhar o ritmo do captare.
Nos corredores daquele lugar que em momentos parecia uma arena e em outros parecia com os campos Elísios das lendas. Eles seguiam até que Alex finalmente encontrou quem procurava. Inclinou-se em forma de reverência e Bianca repetiu o gesto. O anjo se aproximou.
- Bom dia, senhor...
- Bom dia Alexander... - O anjo se volta para Bianca com um sorriso singelo - Então temos uma querubim entre nós...
- Sim senhor... não quer dizer nada Bianca?!- Bianca apenas abraçou mais forte o braço de Alex- Nos desculpe, mas nós- Fez um gesto e Alexander se calou
- Não precisa se desculpar, dá para ver nos olhos dela. - Ele se abaixa, e fica com os olhos na altura dos de Bianca.- Há outros querubins brincando lá no jardim, não quer ficar lá com eles enquanto eu e Alexander conversamos?- Bianca olhou para Alexander e ele assentiu com a cabeça.- Vamos ficar de olho em você mocinha, então se comporte... - Disse o anjo, porfim Bianca repetiu a reverência e começou a se afastar em direção ao jardim.

- Eu detesto a ideia de ser salvo por um bando de crianças...Os olhos de Bianca encheram-se de lágrimas, as recordações as palavras, tudo vinha à tona na menor referência. Ela senta-se e recolhe as pernas escondendo a face. Até que sente uma presença de alguém sentando-se ao seu lado.
- Adriel...
- Mas é verdade, Alice, é difícil aceitar que muitos daqueles são mais velhos e poderosos que eu...
- E mais maduros em alguns momentos...- Alexander ri.
- Não vai dizer nada, Alice? Está vendo o que esse projétil de anjo está falando?
- Do que eles estão falando, Beatriz?
- De querubins... Não me diga que você não aprendeu nada do que o Alex explicou. Você precisa ser mais atenta, Bianca. Se continuar assim você nunca vai conseguir ajudar ninguém.
- Quer um doce?- Pela voz era um menino que estava a seu lado, mas Bianca não olhou, estava chorando e não gostava que pessoas estranhas a visse daquela forma, apenas balançou a cabeça negando.
- Chocolate? A Eli tem chocolate, ela pode te dar um, você quer?- Bianca negou novamente
- Pirulito, bombom, salgadinho, Cheetos, nada?- Insistiu o rapaz, e Bianca negou pela terceira vez. Já não chorava mais, realmente passara a prestar atenção naquele rapaz que sentara-se ao lado de uma desconhecida e insistia em tentar fazê-la erguer a face.
- E um beijinho? Você quer? - Bianca levantou o rosto de certa forma indignada- Mas que audácia- pensou
- Vejam só, ela tem um belo rosto... Então por que o escondia?
[Querubim o qual a Bianca anseia se encontrar novamente]Ela cora, nunca havia recebido um elogio tão espontâneo de alguém que não conhecia. Amigavelmente ele aperta o ombro da menina.
- Não se preocupa não, Bia. Posso te chamar de Bia, não posso?!- Ela olha assustada para ele e, como se adivinhasse o pensamento dela, ele prossegue- Tem escrito Bianca no seu cordão, Alex é meio masculino então eu pensei que seria o do outro cordão. Acertei?- Ela confirma com a cabeça
- Então, Bia, veio aqui passear? Eu também não sou daqui.- Bianca se sentia a vontade ao lado daquele menino que insistia em conversar com ela. Na verdade, até mesmo a tristeza que outrora estava sentido ia ficando imperceptível até aliviar seu peito.
Ela não falava, mas prestava atenção em cada palavra dele. Havia algo de familiar, que a fazia relaxar um pouco, embora ela não conseguisse explicar o quê, uma sensação como se o conhece-se de à tempos.
- É sim, eu ando muito, sabe como é. Tem gente para ajudar em todos os lugares e a gente não pode ficar parado. Mas, e você, lindinha, veio acompanhada? O que está fazendo aqui?- Bianca olha para Alexander do outro lado do jardim e o menino acompanha o olhar.
- Cê veio com aquele cara?- Ela confirma- Ah... sei... Mas, então? Não quer saber nada? Não quer me perguntar nada? Fala aí alguma coisa... Você não pode ficar trancada para sempre...- Bianca abaixa a cabeça e ele a ergue suavemente pelo queixo
- Vamos lá, eu sei que você consegue...
Timidamente Bianca abre a boca, tentava-se lembrar como era o som de sua voz e fala quase num sussurro - O... o que é um... um Querubim?
- Um pouquinho mais alto, por favor, moça bonita... só um pouquinho mais...
Então levantando um pouco mais o tom de voz Bianca falou, pela primeira vez desde a morte de Beatriz
- O que é um querubim...? Que é uma casta eu sei... mas...
- Glória ao pai, ela fala... Cheguei a pensar que fosse muda, seus pais e sua irmã devem estar orgulhosos - Disse pegando na mão dela, e estranhamente Bianca não chorou a menção dos nomes daqueles que já se foram- Você deveria falar mais vezes. Agora deixe-me explicar...- Dizendo isso ele vira uma garrafa de refrigerante, sorvendo o líquido em grandes goles, e oferece a Bianca que meio sem geito a recebe e bebe um pouco.
Um querubim é aquele que recebeu do criador o dom se sanar as dores do mundo. Nós curamos as dores do corpo, da alma e da mente. Sendo a primeira a mais fácil de todas.
Alguns outros anjos também consegue, mas não tão bem como nós.
Nós temos o dom de salvar vidas, enquanto os outros anjos vão para guerra sacrificar-se pela humanidade, nós os ajudamos a não perecer em combate fazendo com que as chagas dos lutas desapareçam.
- Se eu for um querubim eu vou poder ajudar o Alex?- entregando a garrafa a ele
Nós temos o dom de entender o sentimento e de ver o mundo com os olhos de uma criança. Adimirando-se e encantando-se com a criação a cada olhar.
Mas antes de ajudar ao próximo nós temos que estarmos bem conosco. Se uma dor nos assola a alma, nós temos que supera-la para seguir em frente com o caminho que o altíssimo reservou para nós.
- O Alexander e muitas outras pessoas e anjos. Você poderá até transformar vidas.
- Então... eu quero ser um Querubim- Agora eu devo ir. Para começo de história eu nem deveria estar aqui...- Bianca olha para ele sem entender o porquê da afirmação. Ele sorri.
- Mas, bia, você já é. Desde que foste gerada. Você tem um propósito... todos nós temos. - ele levanta-se e segura a mão dela
- Eu vim apenas para te encontrar... Assim como você veio aqui hoje apenas para conversar comigo, ou você veio para outra coisa?- Ele dá um beijo na mão dela e começa a se retirar
- É uma pena que suas feridas sejam na alma. Se fossem no corpo poderia ajudar mais. Então você terá que cura-las sozinha, para parar de dar trabalho aos outro e para fazer com que se orgulhem de você. - depois de três passos ele para, volta e abraça Bianca
- Só não esqueça que todos já temos orgulho por você estar tentando. Tanto eu quanto Beatriz... Alice e Adriel- Tendo a abraçado ele pega uma corrente prateada do bolso e entrega a ela- Isso vai ajudar você a poder andar com a sua espada... Ah e eu ia me esquecendo, o Alexander também, mas eu não sei se aquele projétil de anjo conta.-
Ele sorri e começa a correr. Enquanto se afasta, Bianca nota que os cabelos dele começam a diminuir de tamanho e sua pele começa a escurecer até ficar uma a aparência de um menino negro de cabelo raspado.
O querubim, que agora parecia outra pessoa, sai correndo atravessando o Jardim. Bianca fica parada com a corrente na mão tentando entender o que se passara, tentando entender o porquê da troca de aparência. Lembra que esqueceu de uma coisa muito importante, não perguntou o nome do menino. E agora não sabia siquer qual a sua verdadeira aparência.
Uma cena muito estranha essa que acabara de viver, um desconhecido a consola e ainda lhe dá uma lição de moral. Bianca olha para a corrente e a coloca no bolso.
- Para me ajudar a andar com a minha espada... o meu ultimo presente - Bianca se senta e cobre a face novamente. Dessa vez tenta não chorar, precisava ser forte para parar de dar trabalho e para ajudar as pessoas. Mas ainda era cedo demais, e ela tinha uma jornada muito longa pela frente antes de se recompor verdadeiramente.
Muito tempo depois, o céu ainda mantinha o mesmo tom de quando chegara, para ela era como se o tempo não passasse. Via as outras crianças brincando no jardim mas não tinha coragem de se aproximar. Apenas lembrava de quando sua irmã era viva, lembrava da época em que ninguém estava morto.
- Quando é que eu vou sair, por um instante, e não vou encontra-la chorando quando voltar?- Disse uma voz conhecida ao pé de seu ouvido. Bianca se vira e vê Alexander
- Demorei muito?
Bianca enxugou as lágrimas e o abraçou, um forte abraço, como se não o visse à tempos.- Podemos ir?
Bianca pensou em responder com a própria voz, mas não teve coragem, apenas assentiu com a cabeça. Alex deu-lhe um beijo na face e os dois partiram. Saíram da cidade celestial para tornar ao dia-a-dia humano.
Para começar tudo de novo, de novo.
Mas, dessa vez, com um outro olhar...- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

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