Fogo
A cozinha estava em chamas, o pano que Bianca usava para segurar as panelas quentes havia pegado fogo dissipando as chamas para as cortinas da janela, que cairam espalhado as labaredas pelo local.
A menina estava parada, chorando, inerte olhando as chamas. Olhando para um lugar que não era ali, procurando um alguém que não estava lá, um alguém que o fogo havia consumido. As labaredas lambiam a garota pintando a rósea pele de um vermelho. A menina chorava incapaz de se mover, como se estivesse hipnotizada pelas chamas que outrora levaram sua irmã.
- BIANCA!!
Alexander tentou entrar na cozinha, mas fora repelido pelas chamas. Adriel entrou no local ao mesmo tempo em que uma das fitas de Alice cruzaram o ambiente chegando até a torneira da pia, enlaçando-se e fatiando o metal fazendo jorrar água.
- Eu sempre disse que cortinas não caiam bem na cozinha – Disse Adriel voltando equilibrando-se com Bianca nos braços.
- Quem me deu elas foi você – Retrucou a captare enquanto recebia a filha.
Conversa Séria
- Está doendo muito? – A menina confirmou com a cabeça entre os soluços do choro – Não se preocupe, mamãe vai dar um beijinho e logo vai parar de doer.
- Como está a bonequinha do papai?
- BIANCA, O QUE FOI QUE ACONTECEU?
- Calma Alexander...
- Porque você não saiu de lá?!
A menina apenas tentava conter o choro.
- Você podia ter morrida lá dentro! É isso o que você quer?
- Filhote, tenha calma, está tudo bem... - Colocando Bianca no sofá
- Não, não está tudo bem... Eu não quero perder a Bianca também.
- ALEXANDER! Acalme-se rapaz! Você está deixando Bianca ainda mais nervosa. Você é o adulto, controle seus nervos!
O captare respirou fundo, seu pai tinha razão, mas toda a situação estava o levando à extremos. Saiu a procura de ar puro, saiu a procura de ar. O sentimento de impotencia deante da sitação da irmã o sufocava.
- Adriel, fique um pouco com ela, eu vou conversar com o Filhote
Alice saiu a procura do filho, era um momento difícil para todos na casa, era preciso passar segurança, era preciso que todos se apioassem uns nos outros. Ou tudo iria desmoronar .
- Olha o que o papai trouxe, não é como os beijos da mamãe mas ajudam bastante. Aqui temos a Pasta d’agua – Balançando um frasco numa mão e umas pomadas na outra - ela ajuda a aliviar a dor. E o que nós temos aqui? Oh! São as pomadas “cura tudo” para trata as queimaduras. Quando você crescer você vai aprender que um bom kit de primeiros socorros é tão útil como muitas magias e milagres. E você ainda pode comprar em qualquer farmácia! - A menina sorriu mesmo com a pele ardendo.
– Você fica muito bonita sorrindo. Tão bonita quanto sua mãe.
- Sabe, princesa, o projétil de anjo está muito preocupado com você. Ele é um anjo forte, corajoso, mas ele só é forte se você estiver com ele. Você é o entusiasmo dele, com eu e sua mãe entende? Se algo acontecer com ela, ou se ela não estiver bem, eu não vou conseguir ficar bem. Fico preocupado e o meu coração fica apertado. Chorando bem caladinho para que ela não veja e não se preocupe. – A menina fez uma cara preocupada. Colocou a mão no peito e apontou para a porta da sala por onde Alexander havia saído, em seguida desceu o indicado pelo rosto simulando uma lágrima.
- Exatamente, o coração dele também chora quando você não está bem. Por isso que você tem que se esforçar. Mas eu posso te contar um segredo? – A menina olhou interessada – Assim como você e sua mãe conseguem fazer nossos corações ficarem quietinhos apertados, chorando, quando vocês não estão bem. Vocês são as únicas que conseguem fazer nossos corações ficarem calmos, quando nós estamos desesperados ou com zangados.
Vocês conseguem confortá-los quando eles estão tremeeendo de medo. Vocês conseguem deixá-los alegres, entusiasmados mesmo quando a gente está muito, muito triste ou desanimado. Vocês conhecem a palavra secreta para falar direto com os nossos corações.
- As vezes eu tenho que fazer missões muito difíceis, e eu fico com medo. Ma eu vejo sua mãe. Eu sozinho não consigo nada, mas é quando ela está comigo que eu consigo derrotar quantas falanges de dragões possuídos com espíritos de vampiros que você quiser. Como nas histórias que eu conto.
A menina sorria enquanto o pai lhe assanhava os cabelos - Por isso você tem que ser uma moça forte. Você tem que proteger o projétil de anjo quando ele se meter em confusão. Vocês tem que se proteger como eu e sua mãe nos protegemos.
A menina fez uma careta. Apontou para si própria e fez sinal se negação, em seguida apontou para Adriel.
- Minha princesa - Disse sorrindo – Nós não vamos estar aqui para sempre. Já vocês dois... Vocês dois vão estar ao lado um do outro para sempre. Então seja forte e ajude o projétil de anjo. Todo guerreiro precisa de uma dama para quem voltar depois de uma batalha. Nunca esqueça disso está bem?!
- Essa é uma filosofia bonita demais para vir de você – Disse Alexander aparecendo na porta
- Não me subestime, pequeno gafanhoto. Você ainda tem muito a aprender. Pobre Bianquinha, terá que ter uma paciência de Jó para te carregar como fardo.
- Não maior que a de Dona Alice. Ela definitivamente não tem pecados, aturar você é uma penitencia constante.
- Rapazes... - Disse alice surgindo atrás de Alexander - A filhotinha precisa descansar...


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