IV - Falando sobre estranhos [part 5]

Próximo a janela, com muitas ligações no celular, Alexander esperava impacientemente pela porta que não abria, por Bianca que não chegava. O livro em sua mão tentava diminuir a apreensão sem muito êxito. A querubim nunca ficara até tão tarde sem dar noticia alguma.

Eram quase meia noite quando a menina abriu a porta, silenciosamente, nem notou a presença na sala que olhava fixamente para ela.

Alexander colocou o livro vagarosamente sobre a mesa esperando que a jovem notasse sua presença. Bianca quase teve um susto ao ver o captare arrumado, pronto para um combate. Não como alguém que vem de uma caçada, como ela esperava encontra-lo, mas, como alguém pronto para partir para uma. Estava preparado para o pior, mesmo rezando para que nada de mau estivesse acontecido.

- Boa noite - Disse a menina meio sem jeito

- Boa noite - Ele respode e um tom baixo, mas firme - Onde minha irmã estaria a uma hora inapropriada como esta, já que pedi que ela ficase em casa?

O linguajar rebuscado, o porte imponente. Alexander sabia impor seu desgosto diante da menina de uma forma muito mais eficaz que gritos e castigos. O coração da querubim parecia querer rasgar o peito e saltar diante da velocidade que pulsava. O nervosismo era nítido na face da garota.

Como ela iria contar a Alex que passara o dia inteiro na companhia de um demônio? Isso certamente não era a coisa mais prazerosa a ouvir. Principalmente diante da forma que ele a olhava. Um olhar cansado, como se não tivese descansado um minuto.

O celular desliza da mão dele e cai no chão, a bateria fraca de tantas ligações feitas e não atendidas.

- Desculpe a demora, não imaginei que fosse tão tarde. - Entrando - Mas assim... - Procurando as palavras certas para se falar e, ao mesmo tempo, com medo da reação do captare - Eu tenho uma coisa pra contar

Ele a olhava esperando o desenrolar da conversa.
- Senta... - Bianca pega a mão dele e o conduz até o sofá. A mão gelada quase trêmula intrigava e preocupava cada vez mais o Angellin.

- Acredito que nada agora, Bianca, justifique sua ausência. Mas, continue...

- Antes de qualquer coisa, promete que não vai brigar comigo -Disse a menina sentando-se também. O anjo respira fundo, estava preocupado com sua irmã e não sabia como encontrá-la, mas agora com ela diante de si. Com ela sã e salva ao alcance de sua mão, já podia relaxar um pouco.

- Eu acabei de brigar com você, Bia, como posso jurar isso, pequena?- Num tom mais ameno.

- Certo... ok... então vamos lá...

- Onde esteve?!

- Am... Você não sabe o que eu descobri hoje... - Falando numa animação que antes não existia. Tentando nitidamente tomar o rumo da conversa.

- Onde!? - Insistiu já curioso e impaciente diante da hesitação da menina.

- Eu andei pela cidade - Desistindo de conduzir a conversa

- Sozinha? E o que eu falei?

- Assim... não exatamente sozinha

- Algum de nossos conhecidos? Eu liguei para todos e ninguem sabia onde você estava. Eu te liguei várias vezes e você não atendeu.

- Eu esqueci o celular...- Com uma expressão de : "desculpa, foi sem querer" na face. - Ah, Al ...- Já animando-se - Você sabia que o Kavurot já se meteu com politica? - Disse triunfante com a sua descoberta

- Quem é Kavurot? - Seu tom de voz era pausado como se o comentário da menina tivesse o desmontado.

- É o outro nome do Kaveira

- Bia com quem esteve e porque está se metendo com coisas que não era para você estar atrás? - Sua voz torna a subir.

- Eu não fui atras de nada. Na verdade foi ele que me achou

- Quem...Quem te achou!?- Fala rapidamente demonstrando um pouco de nervosismo

- Eu sai cedo - ela começa a falar calmamente - eu andei até um parquinho. Ai, quando eu estava lá, deitada, apreciando o céu, um homem muito bonito se aproximou.

Alexander cruza os braços, atento a cada palavra de Bianca. Ela apenas continua a falar.
- Eu me levantei ... ai, quando eu estava indo embora, ele falou em você. - Ela faz uma pausa esperando uma reação do anjo.

- Hum, continue... Qual o nome dele? Quem ele é?

- Bom, ele não me disse o nome dele a principio. Mas quando a gente estava quase vindo pra cá, eu ouvi o nome dele. André. Ele tem um irmão... Igor, se não me engano, eu vi eles conversando no telefone - Ela fala meio receosa

Alexander apoia o queixo com a mão e cruza a perna, seu semblante ficava cada vez mais sério e a olhando com um rosto mais firme ele espera as proximas palavras da menina. Que, já mais calma, fala com naturalidade...

- Ele me contou muitas coisas sobre o Demônio...
Você sabia que ele é dono de uma boate?


A menina começa a lembrar do dia e acaba se perdendo em suas próprias palavras
- Ele era totalmente diferente do que eu sempre imaginei de um ser das trevas. Ele era gentil...

Alexander abaixa a cabeça e coloca as mãos no cabelo num ato desolado e triste.

- Al?- Se aproximando do rapaz que volta o olhar para cima e ouve o que a menina tem a falar

- Continue ...- fala com uma voz baixa um olhar um triste esta estampado em sua face.

- Foi isso... - Bianca se senta no chão aos pés do rapaz apoiando seus braços nos joelhos dele. -Nós conversamos sobre muitas coisas, aí depois ficou tarde. Ele veio me deixar de Taxi aqui perto, porque era perigoso eu vir sozinha ou a pé. E foi isso... - Deitando seu rosto no joelho dele.


Ele acaricia o rosto da menina e ela fecha os olhos, estava cansada, tanto fisicamente quanto mentalmente, estava quase perdendo a consciência quando Alexander levantou sua face com as pontas dos dedos. Quando ela abriu os olhos, viu as duas orbes azuis fitando seus olhos...
- Por favor, Bia, me conte tudo! Cada detalhe do que ouve e do que vocês falaram, como ele é?

- Am...- Despertando- A conversa toda? Ou só os fatos importantes?

- Tudo é importante. - Acrescentou

- Ah, ele deixou um recado para você...- Levantando-se

- O que?

- Ele me disse que ia viajar, eu perguntei para onde, ele disse que você deveria saber... E que se você ainda não soubesse... - Bianca lembrava-se da fronta levantada pelo domônio," se ele ainda não souber, diga a ele por mim que: Se continuar assim ele não vai servir nem de entrada." procurava em sua mente uma forma mais amena de repassar o recado
- Você ... teria que ... se empenhar mais...

Ela olha no fundo dos olhos dele. Procurando qualquer pista de pensamento. Ele abaixa a cabeça como se estive-se com raiva, levanta-se e vai em direção à janela tentando controlar o sentimento. Coloca as mãos ao peitoril e observa a rua a rua procurando algum sinal. Bianca apenas o segue em silêncio. E eles permanecem assim por alguns minutos.

- Eu não acredito que aquele ...- Alexander continua a frase numa lingua que Bianca não conseguiu entender. Suas palavras eram firmes e seus olhos procuravam na simples praça vazia, que havia em frente a casa, alguma pista, algum sinal...



- Continue, Bia, por favor...

- Certo, bom, o recado foi esse. Quanto a aparência, não creio que ele tenha aparecido em sua verdadeira.

-A aparência que digo, é algo que possa nos da uma pista de onde encontrá-lo. Algo na roupa... Algum detalhe

- Cabelo negro, pele muito branca. Vestia-se como uma pessoa normal, mas chamava muita atenção. Ele era ... - A menina para no meio da frase e fica olhando concentrada para Alexander

Atento a cada palavrada menina, o captare tenta encotrar uma pista do homen que conversou com sua irmã. Apesar de concentrado, ainda deixava transparecer alguns traços de nervosismo.

- Ele não está nessa rua, e o reconheceria em qualquer lugar

- Me diga algo mais especifico que ele tenha dito sobre alguns lugares... Nordeste do pais, norte o mesmo centro-oeste?

Suas perguntas soavam como opções para a garota poder usar como referencia demonstrando que sabe algo, mas que não é preciso.

- Ele era bastante diplomático e sabia manusear as palavras muito bem. Não disse nada preciso. Ele julga que você já saiba- A menina ficou lado a lado com ele na janela - Você sabe?

Batendo sobre o parapeito de modo fraco sem brutalidade, sem perder sua etiqueta e seu auto- controle ele diz
- "droga"

- Ele era muito bem informado.
Por um momento ela se afasta. - E muito atraente também... Preciso pensar em outras coisas - Fala para si mesma enquanto se dirige a cozinha

No mesmo local Alexandre intima com voz fria e firme.
-Não quero que nunca mais você encontre esta pessoa e se o ver, Bianca, fuja!

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