VI - Falando com estranhos [Part 2]



IV- Joguinhos
A mulher com quem ele estava conversando era extremamente bela. Os cabelos castanhos, a pele bronzeada, um olhar marcante, ela era inconscientemente sedutora. O casal chamava a atenção naquela humilde pracinha. Ele estava vestido como qualquer rapazote da sua idade. Porém havia algo nele que prendia a atenção e disputava os olhares com o da morena a sua frente.

Ela estava vestida com uma blusa preta semitransparente pela qual se podiam ver os detalhes do sutiã que ostentava o farto busto, além de realçar as curvas da silhueta de um corpo que mais parecia ter sido desenhado à mão.

Bianca mal desviava o olhar, fascinada com a beleza da mulher. Esta, notando a admiração da garota inclinou-se para frente fazendo com que seu busto saltasse à vista, em seguida para completar começou a acariciar os seios com um olhar que de tão malicioso parecia um convite para a perdição, acariciava o próprio corpo com o olhar oscilante entre a menina e o seu companheiro. Este, por sua vez, procurava com o olhar a vítima daquela súccubus, até ver a querubim completamente desconcertada.

- Você é má- Disse rindo enquanto se afastava e seguia em direção à garota

- Não posso evitar - ela respondeu imitando ironicamente uma cara de inocente- É mais forte que eu...
XXX

- Eu não disse que você vinha?!- Disse triunfante enquanto passava o braço pelo ombro da menina.

- Eu quero apenas saber o que você quer comigo

- Que rispidez... Tão fria, tão direta...- Ele segura a face dela e a vira em direção à sua fazendo com que seus lábios quase se toquem -Você não é assim...

Bianca se afasta, ele sorri com um ar de brincadeira e continua a falar
- Não se preocupe, eu sei me comportar. Agora vamos andando, não queremos comentários depois, certo?!

-Você ainda não respondeu a minha pergunta- O acompanhando na caminhada

- Para ser franco: Eu quero me divertir. Quero deixar o jogo mais... interessante. Existem pessoas que se divertem jogando, pescando, dançando, matando, seduzindo... Eu me divirto dando as cartas do jogo e vendo como cada uma das peças desse jogo de tabuleiro vai se mover.

- Em outras palavras, você gosta de manipular...

- Pode-se dizer que sim... Mas, sabe Bianca, você tem uma visão muito unilateral das coisas. Nem todo demônio quer a destruição do mundo, alguns querem apenas curtir sua existência e cumprir seus objetivos próprios. Assim como nem todo anjo quer a salvação da terra, porque se assim fosse não haveriam tantos caídos entre nós e isso é sem contar aqueles que ainda não foram pegues.

- Então você está dizendo que eu devo acreditar mais nos demônio e menos nos anjos

- Eu estou dizendo que você tem que ser esperta e tirar o melhor dos dois. Afinal a humanidade é uma que vive aspirando se tornar Deus, mas vive fazendo pacto com o Diabo.

- Você... é um demônio, não é?

- Eu sou o que você quiser, anjinho: Demônio, anjo, amigo, irmão, tio, bombeiro, eletricista, surfista, basta pedir...

- E o que você vai ganhar em troca?

- Eu? Em troca do quê? Das informações?

- Sim, você é um negociante... ou estou enganada?
Ele sorriu como sempre

- Eu sabia que não iria me desapontar... Bom, eu vou ter a satisfação de ter ajudado uma pessoa que precisava de um empurrãozinho
- Bianca o olhar fixo, estava séria, ele tira por um segundo o sorriso do rosto e responde com a mesma seriedade da menina- Como eu já disse, eu quero me divertir, as coisas estão muito paradas.- O olhar dela se torna mais ameno

- Então você gosta de ver o circo pegar fogo...- Disse sorrindo

- É um belo espetáculo - Disse com uma voz cativante

Bianca se sentia estranhamente à vontade ao seu lado, a franqueza das palavras dele haviam desarmado suas reservas em relação ao rapaz. Ele estava sendo completamente diferente do que ela esperava, e até mesmo, do que ela imaginava de um ser das trevas. Ela respira fundo e solta quase num desabafo:
- Você é bastante franco...

- E se eu não fosse você teria me dado ouvidos? Você teria tacado esse guarda-chuva na minha cabeça, não ouviria metade do que eu tenho a dizer, e eu teria perdido o meu tempo em vão.

- Realmente...

- Aposto que fui mais verdadeiro que seu irmão
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V - Persuasão
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- Você tem uma certa implicância com meu irmão, ou é só impressão?

- Eu apenas não entendo como você consegue viver ao lado de alguém que não confia e você. Na minha opinião a forma como ele te trata é uma falta de respeito. Ele te sufoca sob as asas dele e exige de você coisas que não dá em troca.- O tom do rapaz era de indignação, havia emoção em suas palavras e uma convicção que dava a ele ares de conhecer a verdade absoluta.

Bianca estava com um semblante meio triste, ouvir aquelas palavras lhe doía no fundo d'alma. Aquela não era a sua opinião, mas ele estava lhe mostrando os fatos de uma forma a qual ela nunca tinha parado para analisar.
- Você tem os mesmos direitos que ele, afinal, você passou por tudo o que ele passou, teve que superar dores que uma menina da sua idade não deveria, ele já era homem formado, mas você... era apenas uma criança. Você tem tanto, ou mais direito de querer saber sobre que quase lhe tirou ou roubou a vida. Seu irmão, no entanto te prende uma bola de cristal como se só ele pudesse lhe tocar.

- Ele faz isso para me proteger- Bianca não se importava de ser trancada em uma bola de cristal, desde que Alexander tivesse ao seu lado.

- Então é assim que você pensa? Um pecado justificado deixa de ser pecado?

O jogo de palavras a encurralava, diante daquele rapaz, cada frase dita poderia ser manipulada e voltava como uma lança ameaçando seus conceitos e confundindo seu próprio pensamento

- Não exatamente- Bianca procurava palavras para defender seu irmão, mas cada vez que dizia um argumento ele refutava a ideia com um outro argumento ainda mais forte

- Bianca, você confia nele, conta tudo para ele, e ele em troca age na covardia te escondendo coisas que para você são importantes, e o pior é que ele sabe disso. Bia...
Você não é para ele o que ele é para você

- Se eu estiver errado me corrija, mas é isso que eu vejo- ele fez uma breve pausa e continuou com uma voz mais branda- é assim que é!

- . . . Vendo dessa forma . . .

- Então me diga... por que continuar a lado de alguém que não te respeita e nem tem consideração por sua pessoa? Alguém que não te dá valor?!

Bianca não concordava com essa ultima frase, Alexander havia se sacrificado bastante por ela, juntos tinham superado uma barra muito pesada, uma perda muito dolorosa, ele tinha lhe dado apoio no momento em que mais precisou, ele sempre esteve ao seu lado. E como se adivinhasse os pensamentos da menina o inccubus continuou

- Ele te protege, ele te acompanha, mas isso não passa da obrigação dele.
O pensamento de Bianca se quebrou diante da afirmação, ele parecia ler seu pensamento e ter uma resposta, um contraponto para cada ideia que ela tinha


- Ele está apenas retribuindo parte do que você fez por ele. Por que até onde eu sei, ele te deu força da mesma forma que você deu força a ele, ele foi seu apoio como você foi o dele, ele não fez nada por você a mais que apenas retribuir uma pequena parte do sacrifício que você fez por ele.
Agora eu quero que você analise tudo o que eu te disse e me responda, eu estou errado? Se eu estiver ficaria grato se você me explicasse, porque eu sozinho não consigo enxergar diferente
.

- Eu... eu não... eu não sei...

Sua mente estava confusa, as palavras dele faziam todo o sentido mas ela não queria aceitá-las, ao mesmo tempo que a simples presença dele lhe confundia a razão, uma presença embriagante que chegava até mesmo a sufocar o ser de quem o acompanhava. Durante o caminho que fizeram ela siquer notou por onde passavam, como se sua atenção se prendesse a cada ato, gesto e palavra dele.
Como se mais nada existisse, apenas os dois e a conversa que estavam tendo.
Notando a confusão da querubim, o rapaz a abraçou.

- Tenha calma, você não está tendo que tomar decisão alguma, eu estou apenas lhe mostrando os fatos- Disse docemente.

O abraço que a principio passava um consolo ficou mais forte, as mãos deslizaram pelo corpo da menina como se acariciassem um fino tecido. Bianca fez menção de afastar-se, mas antes ele sussurrou em seu ouvido
- Fique um pouco mais
Ela ficou imóvel.

Seu coração estava acelerado, tinha que se concentrar para não alterar a respiração e não demonstrar seu nervosismo diante daquele rapaz que parecia dominar muito bem tanto as palavras quanto sua influência sobre as pessoas. Ao mesmo tempo, tinha um pouco de raiva de si, pois mesmo sabendo que ele estava apenas manipulando emoções e palavras, ela não conseguiu não se influenciar
Mesmo sabendo que era um veneno, ela acabou sorvendo a essência daquele ser.

Ele a abraçou forte fazendo com que os dois corpos se tocassem por inteiro. Com uma das mãos ele afastou o cabelo de Bianca do pescoço e aspirou o perfume. Uma respiração profunda que fez a pele da menina arrepiar...

Um arrepio de corpo inteiro
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