VI - Falando com estranhos [part 1]

I - Primeira impressão
Eu estava sentada a varanda de casa, estudando como sempre, quando o vi pela primeira vez. Os cabelos negros, que de tão negros tornavam-se azulados, a pele alva a postura de um sedutor. Ele estava lá, sentado num banco na pracinha em frente a casa em que morávamos.
Não consegui me concentrar em mais nada. A beleza sobrenatural daquele ser me fascinava, me prendia àquele estado de transe onde eu só conseguia vê-lo. E quando nossos olhos se cruzaram eu estremeci. Um olhar que de tão profundo invadia e tomava-se a alma. Ele sorriu, fez um aceno com a cabeça. Eu não retribui e entrei quase correndo no meu quarto.

Quando o Alex chegou eu contei do estranho da praça. Ele me mandou ter cuidado e disse que haviam vária criaturas sobrenaturais na cidade.
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II- 1° Encontro

No dia seguinte, acordamos muito cedo porque meu irmão teve que sair às 5:30 numa uma missão especial. Saí para passear um pouco, sentir os primeiros raios do sol, ver qualquer coisa que me distraísse, que me desviasse a atenção da lembrança daquele homem.
Queria me afastar daquela praça, então andei pela cidade, uma cidade que começava a despertar. Cheguei a um parquinho, deitei-me na grama e comecei a admirar o céu. Não se ouvia nada além do cantar dos pássaros, sentia o vento suave a tocar minha pele, o sol que aquecia lentamente, o frio da grama.
Tudo numa harmonia que acalmava a alma, até que eu senti uma presença.

Vindo em minha direção...

- Bom dia...- Disse ele extremamente cortês

Eu queria sair daquele lugar, algo dentro de mim gritava: Perigo!. Mas eu não conseguia, ao mesmo tempo que tinha curiosidade de conhecer mais sobre aquela pessoa que tinha me roubado a atenção e desconcentrado os meu sentimentos.
Eu me sentei imediatamente, ele no entanto, aproximou-se e deitou-se a meu lado.

- O céu... realmente é uma coisa bonita não acha? -permaneci calada apenas o observando. Porém os olhos que antes cortejavam o céu passaram a me fitar de uma forma tão intensa que eu não consegui encara-lo - E produz coisas muito bonitas também.... Diga-me, o que uma dama tão bela faz tão longe de casa?

- E você sabe onde eu moro?- disse surpresa, nunca imaginaria que ele iria lembrar da menina que fugiu e correu para o quarto por não ter uma reação.

- Um rostinho como o seu não se esquece, além do que, você me é familiar... Posso saber seu nome?

- Me desculpe - Eu precisava sair da sua presença- mas, já está na minha hora- Disse levantando-me, porém no momento em que me curvei me apoiando no chão para levantar-me... o meu cordão apareceu pelo decote da blusa



- Então seu nome é Bianca?! Não acha perigoso ter o nome atado ao pescoço onde todos podem identifica-la?

- Como?

- Seu cordão- Disse levantando-se e batendo a areia da roupa

- O que você quer comigo?- Já de pé

- Sua companhia, estou um pouco cansado de estar rodeado do mesmo tipo de gente.

- Acha mesmo que eu vou acreditar nisso?

- Não, mas não custava tentar- disse sorrindo, um sorriso tão encantado que por um momento eu quis permanecer ali, apenas o admirando.

E depois do sorriso seus olhos ficaram profundos que eu me senti absorvida por aquele olhar, pelo som daquela voz
- A verdade é que eu queria conhecer e entender- Ele pegou minha mão e curvou-se para beija-la- O porquê de você ter chamado tanto a minha atenção
Meu coração disparou ao simples toque de sua mão.

- Você sabe o meu nome, mas eu não sei o seu. Acho que algo não está correto

- É melhor que você não saiba, nem o meu nome e nem o que eu sou.

- É melhor que eu fique longe de você- Tirando a mão da mão dele

- Seu irmão sabe que você me viu?

- Mas é claro, porque eu esconderia algo dele?- tomando a dúvida quase como uma ofensa.

- Porque ele esconde de você- Calmamente, com as mãos nos bolsosele vira-se e começa a andar na direção contraria à minha

- O que ele esconde de mim? - Eu apressei o passo e fique a sua frente

- Informações. - Respondeu-me sem perder a postura- Tudo o que ele já descobriu sobre o ser que... sobre o autor do ataque à sua casa.

Eu perdi as palavras. Tinha quase certeza que Alexander descobrira coisas e se recusava a me contar. Mas eram apenas suposições. Suposições que se confirma-se verdade pela boca de um estranho.

- Você tem um semblante tão puro e sereno...

Minha linha de raciocínio foi quebrada quando senti o toque de sua mão em meu rosto, era estranha a fascinação que ele causava em mim... Algo mágico e encantador que me desnorteava. Algo sem explicação que por mais que eu tente descrever eu não consigo.

- Eu poderia lhe mostrar o mundo,- Ele continuou


- Se você viesse comigo, eu abriria os teus olhos
e você veria muito além das brancas nuvens do céu.

Por um minuto não se disse nada, apenas os olhos se comunicavam numa linguagem indecifrável.
Então, quebrando o silêncio, eu me atrevi a perguntar
- O que você sabe sobre aquela pessoa?

- Eu sei o que ele quer que você saiba... - Pessoas começaram a cruzar o parquinho, o sol estava se levantando e a cidade já estava desperta

- Sabe Bianca, aqui não é o local adequado para conversarmos sobre isso. Me encontre em uma hora na praça perto da sua casa.

- E o que te faz pensar que eu vou?

- Eu conheço as pessoas. Você é curiosa, quer descobrir o que seu irmão esconde, além de que... você quer me encontrar novamente- Ele passa a mão pela minha cintura, me aproxima quase num abraço e sussurra em meu ouvido

- Você quer descobrir o mundo... só não tem coragem de levantar voo, eu vejo isso nos seus olhos...


A voz embriagante daquele ser ao pé do ouvido fazia a pele arrepiar. Uma voz cortez e ao mesmo tempo maliciosa, as palavras medidas para não falar nem mais nem menos que o que se era preciso dizer, uma aura extrema de sedução, tudo formava um quadro digno de um feitiço.
Um feitiço lúdico que lhe arrebatava da realidade, e você se tornava uma peça quase que voluntária nesse jogo de cartas marcadas.
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III- S.O.S.
- Alex
- Alô, oi Bianca, aconteceu alguma coisa? Você está bem?
- Estou sim Al/
- Que bom, desculpe mas eu estou... meio ocupado agora, não posso demorar muito na ligação. Mas se acontecer alguma coisa, se precisar de mim é só ligar.
- 'Tá... Bom...
- Até a noite, minha linda, tenha cuidado.
- Você também...

Jesus e agora? O que é que eu faço?...
Bom, ele não pode dizer que eu não tentei avisar...
Ir ou não ir... eis a questão...
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Continua...

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